Nesta próxima terça-feria, dia 1º de julho, o Rio Design Barra terá uma apresentação gratuita do musical Beatles num céu de diamantes. Abaixo eu conto um pouco do que se trata este espetáculo belíssimo a que assisti.
É inegável que a obra dos Beatles é riquíssima. Já foi revisitada diversas vezes. O último destaque foi o filme Across the universe, que não me convenceu como filme, mas até que algumas versões eram boas.
Mês passado assisti a Beatles num céu de diamantes, um musical da dupla de sucesso Charles Möeller e Claudio Botelho, feito com o elenco já conhecido das outras peças como 7 – o musical ou mesmo Ópera do Malandro. É um musical completamente emocionante, ainda mais para quem conhece e gosta dos rapazes de Liverpool.
Em sua estrutura o musical é muito simples, tendo 11 atores-cantores e mais 3 músicos (teclados, violoncelo e percussão), um cenário composto somente por algumas escadas e adereços que se resumem a malas e guarda-chuvas. O figurino também é bem simples, um tanto atemporal. Outra coisa curiosa do espetáculo é que não há texto. Nadica de nada. Somente músicas.
O fato de ser um musical somente construído de canções torna tudo mais subjetivo e interessante. Não há exatamente uma história, ou personagens fixos. Há uma intenção, uma trama, um fio condutor. Segundo os próprios diretores: “Fio condutor? Há algum sim, mas não é didático nem cronológico. Imaginem Alice na toca do coelho… Seria isso: o sonho; a fuga; a descoberta; o amadurecimento; a volta. Os Beatles eram fãs fervorosos de Lewis Carrol e de Alice no País das Maravilhas… Alice fala o tempo todo de Tamanho e de Labirintos. De ritos de passagem. Como os rapazes de Liverpool, Alice quer entender o seu tamanho nesse mundo. Diante das coisas. O sentimento de ser mínimo em alguns momentos e gigante em outros”
São pequenas histórias, pequenas relações, que vão sendo costuradas pelas músicas belissimamente interpretadas pelo elenco. Eles, por exemplo, juntam todas as canções com nomes próprios, culminando num Hey Jude agudo e belo. Algumas outras músicas ganham releituras divertidas, como A Hard day´s night, Yellow Submarine e Obladi Obladá. E torna-se uma experiência curiosa na medida em que você vai tentando entender o que se passa na cena, e o que aquela música te faz sentir. Me lembra um pouco aquelas exposições da Imagem do Som, onde artistas plásticos interpretavam músicas com suas obras. É meio isso, uma representação cênica das canções, mas com uma ligação sutil e natural entre elas.
O elenco é todo muito bom, e cantam absurdamente. Coreografias também são poucas, ressaltando mais os movimentos e intenções de cada cena. Eu fiquei boquiaberto em muitas músicas, impressionado com a potência e controle vocal de todos, além da harmonia. As músicas que me deixaram mais extasiados foram Golden Slumbers e uma junção de Yesterday com Let it be, onde um casal senta de costas um pro outro, e cada um canta uma canção diferente, com a mesma harmonia. Os poucos instrumentos presentes são precisos e suficientes, contribuindo para a simplicidade do espetáculo.
Não vá com medos ou ressalvas. Beatles num céu de diamantes é musical pra ver e curtir, seja como show ou como peça, e entender porque os Beatles deixaram seu marco na história da música. A peça continua em cartaz (começaram no fim do ano passado, acreditem!) no teatro do Leblon, de quinta a domingo.
Sobre a apresentação no Rio Design Barra:
Eu acho ótima a iniciativa, uma vez que nem todos podem pagar os 50 ou 60 reais do ingresso no teatro. Por outro lado, certamente vai ser mais precário em termos de iluminação, som e cenário, e é bem provável que a platéia faça um bom ruído por lá. Eu aconselho assistir no teatro mesmo! Mas, caso queiram arriscar, tenho certeza de que também será lindo, mesmo nestas condições.

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