Algumas vezes assistimos a determinados shows e já sabemos o que esperar. Quando decidi ir ao show do Jay Vaquer no Rival nesta sexta-feira, imaginava que seria um show bom, mas nada muito diferente dos demais shows deste CD Formidável Mundo Cão. Somente no dia descobri que seria acústico, e isso me fez partir para a Cinelândia com expectativas.
Com uma formação bem enxuta, somente com violão, guitarra e baixo, Jay subiu no palco do Rival e eu saquei o meu bloquinho e caneta para anotar, prometendo a mim mesmo fazer um texto pequeno sobre o show, imaginando que pouco teria a falar. Engano meu.
As correntes estavam lá, assim como o palco muito bem iluminado e a platéia praticamente lotada. Jay começou seu show com Mondo Muderno, seguido de A miragem, e logo me veio um certo incômodo. Incômodo de saber que iria eventualmente falar mal de algumas coisas, mesmo amando o Jay Vaquer e seus fãs. Prometo, contudo, que serão críticas pequenas perto do show inteiro, que foi maravilhoso.
Acontece que, na minha opinião, o modo como ele canta algumas músicas — principalmente as mais rápidas — nem sempre funciona nestas versões lentas. Eu acho que já que é um show acústico, com outra formação e arranjos, valeria muito a pena também adaptar as melodias e improvisações a este clima diferente. O que eu acho que acontece é que ele acaba cantando igual e mais lento, em vez de fazer exatamente um novo arranjo. E assim perde uma ótima oportunidade de recriar. Um bom exemplo seria o acústico do Nirvana, ou da Alanis mesmo (You oughta know tem versão bem diferente do original no acústico). Senti isso principalmente nas primeiras músicas.
Acho que o próprio Jay estranha em certos momentos, quando espera alguma batida mais forte ou solo que não chega. Dá pra ver que ele fica esperando que algo aconteça ali, e depois percebe “Ah não, nesse arranjo não tem isso.” Mais uma evidência de que falta talvez pensar um pouco em como recriar para uma versão acústica.
Entretando, ao continuar o show, o Jay foi ficando mais solto. É interessante como este formato possibilita que ele interprete mais e melhor as músicas, como deixa sua voz bem mais clara e precisa. Sem a bateria podemos ouvir claramente os agudos (muito bem colocados e afinados), a potência. Principalmente, e acho que pela primeira vez, podemos entender 100% do que ele diz nas letras durante o show, sem as distorções e bateria (e som ruim) pra atrapalhar.
Quando fui Fred Astaire foi linda, e seria perfeita se ele tirasse um pouco as mãos do pedestal, seguida deTal do amor, e Por um pouco de paz, esta num arranjo mais adaptado ao acústico e muito sensível. Preciso poder pela primeira vez me impressionou de fato, foi muito tocante mesmo!
Depois disso vieram Num labirinto e Aquela música, onde Jay exibiu um vocal impressionante. Depois veio Longe aqui, com um arranjo mais pesado, que, ao contrário da estranha leveza de Mondo muderno, fez o vocal intenso de Jay realmente soar coerente com o arranjo.
Então, as participações. Para mim foi uma parte do show onde, além de incrementar as excelentes músicas, Jay quis apresentar novos talentos aos seu público, que poderia certamente seguir e incentivar estes novos e excelentes artistas. Apoena foi divertido de assistir com A falta que a falta faz, Sabrina San (se escreve assim?) mandou bem em Pode Agradecer. Paula Marchesini foi muitíssimo bem em Você não me conhece, e me deixou muito curioso em conhecer seu trabalho, mas as que me impressionaram mesmo foram Izmália, com sua irreverente interpretação de Estrela de um céu nublado, e Liah, com um vocal perfeito e intenso em Nera, daqueles de deixar-nos sem ar! Artistas que merecem uma visita no myspace. Não posso deixar de ressaltar a excelência da banda, que mostrou-se extremamente entrosada. Nota 10.
Formidável mundo cão seguiu os arranjos pesados, assim como em Longe aqui, e pareceu quase um show normal do Jay. Ele terminou com Velho Babão, e depois voltou no bis com Aponta de um Iceberg, numa bela versão, e a pedidos de sua mãe, cantou Crazy do Seal (que eu achei, apesar de bem tocada, um pouco desnecessária). Longe aqui juntou todos os convidados no palco, numa bagunça divertida.
Saímos do show com uma ótima sensação. O show foi lindo, foi emocionante e arrepiante em muitas partes. Algumas falhas, que se ajustariam caso o formato fosse repetido, mas o saldo foi extremamente positivo. Eu, que sou amante dos sons mais suaves, dou a maior força para a repetição do formato (quem sabe uns extras no DVD nesse estilo, hein, hein???).
Pra terminar, deixo aqui um pedido. EU QUERO CANTAR COM O JAY VAQUER! Pô, Jay, vai lá! Nem que seja só na passagem de som, hein? hein? Quem quiser ver meus vídeos de Youtube, acessem aqui.
Até a gravação do DVD!!!
Jay Vaquer com Liah em Nera
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Vc escreve tão bem e tão detalhadamente q dá pra imaginar direitinho como foi o show! Viajei aqui lendo seu post… e me vendo lá… exatamente como está aqui.
Jay Vaquer, de fato os caras são baum, curto desde 2004, tocam pra caramba, são show, o melhor são católicos, DEUS abençoe eles, vá num show e verás o quanto é massa, abraços